Construção civil celebra o Dia Internacional da Mulher reconhecendo a importância da presença feminina em suas atividades e sua crescente qualificação
Quarenta quilos de cimento roldana abaixo e vinte quilos nas costas, escada acima. E mais 20 pás de areia para fazer concreto, carregar o carrinho com entulhos e, por fim, finalizar os acabamentos da obra. Tudo isso sob o forte sol do verão brasileiro. Tarefas árduas não intimidam as mulheres da construção. É o caso da mestre de obras Cledna Menezes e de outras muitas operárias do setor, que cada vez mais abriga mulheres em funções que antes eram exclusivas dos homens.
Nos últimos anos, a presença feminina nos canteiros de obras vem se tornando uma realidade. Segundo a profissional, ainda hoje causa espanto nos homens a presença de mulheres nos canteiros de obras. Os cursos profissionalizantes oferecidos pelos Serviços Social da Indústria da Construção Civil (Seconci) de todo Brasil ajudam a formar novas profissionais e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) oferece aulas práticas continuadas para elas. Apesar de ainda serem minoria, as mulheres vem elevando sua participação no total de trabalhadores da construção, ao ponto de em 2014 já representarem 9,5% da força de trabalho formal do setor. “O aumento da participação feminina tem sido acompanhado de uma maior profissionalização da mão de obra. É uma força de trabalho especializada, que acaba influenciando de maneira positiva os operários”, argumenta o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins.
Nos postos de comando do setor da construção, também temos exemplos de mulheres que comandam grandes empresas, que lutam por melhores condições para o trabalhador, engenheiras que comandam canteiros de grandes obras, arquitetas que projetam edificações e outras que estão à frente das entidades e associações. No quadro de funcionários da CBIC não é diferente, a maioria são mulheres: gestoras, secretárias, advogadas, engenheiras e jornalistas.
O CBIC Mais entrevistou alguns personagens dessa força feminina. São pessoas que fazem a diferença no seu entorno e que, por onde passam, são destaque e referência em desempenho e conduta. A CBIC celebra o Dia Internacional da Mulher, comemorado na próxima terça-feira (8), durante todo o mês de março e aproveita para homenagear todas as mulheres que transformam o dia a dia do setor ainda mais competente. Ao celebrar a presença feminina no setor, a CBIC reafirma seu posicionamento, indicando a construção civil como espaço de realização profissional e crescimento para todos os brasileiros.
AMOR À PRIMEIRA VISTA
“Não consigo ver dificuldades, sempre vou atrás de aprender. Se aparece algo que não domino, pesquiso, me informo com pessoas que já estiveram na mesma função, faço buscas na Internet, pergunto, peço dicas. Obviamente, no meu primeiro dia trabalhando na construção civil, eu entrei com receio de não saber fazer e precisei de alguém para observar, mas, do segundo dia em diante, eu já estava fazendo sozinha. O que me importa é mostrar a mim mesma que tenho capacidade, então eu sempre corro atrás. Sou apaixonada pela área da construção civil. Foi amor à primeira vista e é isso o que me motiva, a paixão pelo novo. Se você quiser me ver encantada,
Canteiro de obra também é lugar de mulher só me colocar em uma obra com algo que eu ainda não tenha visto. Quando participo de reuniões com as outras meninas, sempre digo a elas para nunca deixarem de fazer as coisas com amor. Se você tem amor pelo que faz consegue enfrentar tudo, as dificuldades, os preconceitos… Com amor não tem obstáculo, não tem nada que lhe derrube.” Cledna Meneses, mestre de obras da Construtora Marquise
NA DIREÇÃO DO AVANÇO
“As mulheres da construção civil assim como as que atuam na política, nos negócios, nas pesquisas, no serviço público, as empreendedoras são campeãs olímpicas. Ultrapassaram muitos obstáculos. Historicamente, mulheres e homens se diferenciavam e se distinguem ainda não só pelas características físicas mas por terem papéis particulares, bem definidos, a cumprir junto à sociedade. Venceram a dificuldade de acesso à educação, a falta de proteção à saúde, a insegurança nas comunidades e demonstraram capacidade de fazer “o que era do homem”. O enfrentamento continua e a esperança é de que no final deste século 21 possamos desconhecer a discriminação por gênero mas a valorização das personalidades, da ética, dos princípios e das competências entre os seres humanos.”, Maria Henriqueta Arantes Ferreira Alves, consultora da CBIC.
DERRUBANDO ESTEREÓTIPOS
“A minha história é um exemplo do avanço da participação das mulheres na construção civil. Sou formada em Engenharia Civil, um curso em que os homens são maioria, e a primeira mulher a assumir a presidência da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná, em 35 anos de história. Acredito que o crescimento da nossa representatividade não apenas nesse setor, mas em outras áreas até então reservadas exclusivamente aos homens, trata-se da ocupação de um espaço que sempre nos foi devido. Mais do que isso, esse movimento representa uma profunda mudança nos paradigmas culturais, uma desconstrução de estereótipos e padrões. O foco do debate social deixa de ser as questões subjetivas de sexo, raça, cor e gênero, e passa a ter a objetividade do campo das virtudes e potencialidades. As restrições passam a ser a essência do próprio ser humano, e não qualquer característica atrelada a ele. Sim, somos aptas a atuar em qualquer uma das posições da cadeia produtiva, não apenas na área administrativa das empresas, mas também no canteiro de obras, como engenheiras, mestre de obras, serventes e pedreiras. Seremos o que escolhermos ser, nem que para isso tenhamos que tomar o lugar que nos é devido, tantas e quantas vezes forem necessárias, até o dia em que apenas ocupa-lo será suficiente. Já avançamos muito e temos ainda muito mais para conquistar. Parabéns a nós, mulheres!”, Aline Perussolo Soares, Presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi/PR)
COMPETÊNCIA E SENSIBILIDADE
“Além da competência da figura feminina, que estamos comprovando diariamente, existe a sensibilidade, o saber ouvir, que é diferenciado. Percebo que a mulher está mais pronta para ouvir e assim a gente tem chegado no bem comum, na realização do sonho de uma família através de uma promoção habitação, por exemplo. Hoje a profissional tem as mesmas oportunidades de construção do seu perfil profissional que os homens. Temos demonstrado competência ao ocupar desde postos de trabalhos técnicos na Industria da Construção Civil até postos de gestão e liderança, não só nas empresas como também nas entidades representativas.”, Betinha Nascimento, Representante do Sinduscon-PE na CBIC
UMA NOVA MENTALIDADE
“O nosso objetivo no Mulheres da Construção , projeto do Fórum de Ação Social e Cidadania – Fasc, é manter o assunto da valorização da mulher no setor sempre em discussão, é continuar apoiando e identificando iniciativas de qualificação de mulheres para a nossa indústria, pra que ela já entre de forma qualificada. Então, todos os projetos que conheci de inclusão de mulheres eles tem foco na qualificação da mulher, onde ela vai entrar no setor já qualificada e com uma profissão. Queremos criar essa cultura, quebrar as resistências, evidenciar os ganhos para o setor, e continuar incentivando a participação dela nos níveis operacionais. Porque a gente já reconhece que nos níveis administrativos e nos níveis gerenciais a presença da mulher é uma realidade já há muito tempo na nossa indústria, falta agora no nível operacional.”, Ana Cláudia Gomes, presidente do FASC/CBIC
AVANÇOS E PROFISSIONALISMO
“O nosso objetivo no Mulheres da Construção , projeto do Fórum de Ação Social e Cidadania – Fasc, é manter o assunto da valorização da mulher no setor sempre em discussão, é continuar apoiando e identificando iniciativas de qualificação de mulheres para a nossa indústria, pra que ela já entre de forma qualificada. Então, todos os projetos que conheci de inclusão de mulheres eles tem foco na qualificação da mulher, onde ela vai entrar no setor já qualificada e com uma profissão. Queremos criar essa cultura, quebrar as resistências, evidenciar os ganhos para o setor, e continuar incentivando a participação dela nos níveis operacionais. Porque a gente já reconhece que nos níveis administrativos e nos níveis gerenciais a presença da mulher é uma realidade já há muito tempo na nossa indústria, falta agora no nível operacional.”, Ana Cláudia Gomes, presidente do FASC/CBIC
AVANÇOS E PROFISSIONALISMO
”Na história da humanidade o homem sempre foi o provedor e a mulher começou na humildade. Antigamente a mulher era no máximo professora, pois naqueles tempos o homem não deixava a mulher trabalhar fora de casa. A mulher não podia ter iniciativa e fomos conquistando nosso espaço devagarzinho. Eu sou administradora de empresas, não sou engenheira, mas a necessidade fez com que eu arregaçasse as mangas e fosse para a luta. Ainda existe o preconceito de que a mulher é capaz para exercer certas posições. Fomos para a luta e não tivemos medo. Ninguém tira mais a mulher do mercado, pelo contrário, cada dia mais conquistamos posições mais altas no mercado de trabalho. O setor da construção está cada vez aberto para empregar a mulher nos canteiros de obras.” Bárbara Paludo é empresária do setor da construção.
SEM DISPUTA DE GÊNERO
“Trabalhar com a construção civil é apaixonante e desafiador, uma vez que somos responsáveis pela transformação do cenário urbano de forma sustentável. Há algum tempo, o setor já tem se diversificado e as mulheres encontram cada vez mais espaço, desde os canteiros de obras até os cargos de gestão. Em todas as funções, as mulheres fazem a diferença com sua atenção e sensibilidade características. Nosso desafio é mostrar que homens e mulheres, embora diferentes em vários aspectos, são essenciais para trabalharem juntos em prol do desenvolvimento do nosso país“, Paula Frota é vice-presidente do Sinduscon-CE
Fonte: CBIC