Os contêineres, que normalmente transportam cargas por vias marítima, terrestre ou aérea, ganham uma nova função na construção civil. Em Goiânia, eles têm sido usados como sede de comércios, espaços culturais e, até mesmo, como cômodos de residências. O G1 ouviu especialistas que ressaltam as vantagens e as desvantagens da aplicação desse tipo de estrutura metálica.
Um exemplo foi implantado em praça sustentável, no Setor Marista: um contêiner serve de sede para o Espaço Cultural Atílio Correia Lima. O local foi planejado pela Consciente Construtora e Incorporadora, em parceria com a Prefeitura de Goiânia.
O engenheiro Murilo Simon, que participou do projeto, diz que o contêiner precisou de uma reforma para corrigir imperfeições e ferrugens. “A estrutura era uma sucata, descartável e, em parceria com uma empresa do ramo, nós reformamos e o transformamos no espaço cultural, onde são realizadas exposições de arte, com acesso para deficientes físicos e até banheiros para o público. E é um ambiente reutilizável”, conta.
Segundo ele, além da questão de sustentabilidade, a estrutura metálica proporcionou uma estética chamativa para o espaço. No entanto, foi preciso ter maneiras para amenizar o calor, já que elas têm alta condutividade térmica. A alternativa foi usar um teto verde, que consiste em revestir a parte superior da estrutura com plantas.
Diferentes objetivos
Doutor em conforto ambiental e conselheiro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU), o arquiteto Leônidas Albano explica que a análise das vantagens e das desvantagens do uso dos contêineres pode ser diferente para cada caso, pois depende do objetivo a ser alcançado.
“Se a pessoa quer um conceito de ambiente mais descolado, com apelo tecnológico mais forte e inovação, sendo em uso comercial ou residencial, ele é preponderante. Mas é a questão da aparência, geralmente, que mais influencia na decisão. Quando você usa um contêiner, ele chama mais atenção do que outra edificação, pois ele se destaca na paisagem e isso é interessante quando o intuito da obra é, por exemplo, para comércios”, relata.
Já em relação às questões de sustentabilidade, Albano contrapõe que, muitas vezes, pela questão da dificuldade no transporte ou pelas condições do estado de qualidade da estrutura metálica, as pessoas acabam comprando um item novo para essa finalidade.
Porém, mesmo quando é feito o reuso, ele alerta que essa dependência – de materiais distantes de onde será realizada a obra – contribui para o aumento da pegada ecológica, que são as consequências geradas nos recursos naturais para a satisfação de consumos humanos, como a emissão de gás carbônico derivadas da queima de combustíveis fósseis.
“Como o material muitas vezes é utilizado por transportadoras de navios, fazer o transporte desse material para Goiânia, por exemplo, é uma distância muito grande, o que significa desvantagem, uma vez que aumenta a pegada ecológica. Com isso, você tem que contratar empresas especializadas, com custo maior, pois a mão de obra especializada pode ser escassa no local almejado. Logo, ele pode se tornar menos sustentável e mais caro”, afirma.
Fonte: Obra 24 horas