Obras do programa Minha Casa, Minha Vida sofrem atrasos

20 de maio de 2015 | Mercado Imobiliário

Representantes de construtoras têm afirmado que o atraso nos pagamentos do governo federal está paralisando obras do programa Minha Casa, Minha Vida.

Os problemas ocorrem na faixa 1 do programa, que beneficia famílias com renda mensal mais baixa, de até R$ 1,6 mil. Em Senador Canedo, Goiás, a construtora dos prédios diz que o atraso chega a 60 dias.

O canteiro de obras era movimentado. Chegou a ter 230 funcionários: carpinteiros, pedreiros, eletricistas e engenheiros. Hoje tem apenas 48 funcionários. E os mais de 400 apartamentos que ficariam prontos em julho só devem ser entregues perto do fim do ano.

O carpinteiro Antônio Noleto trabalha na obra há dois anos. Toda hora vê colegas sendo demitidos.

“Desde o ano passado vem só reduzindo. Mandando embora. É triste”, conta.

Em Natal, a construção de quase 1.800 imóveis também perdeu ritmo. O sindicato do setor fez as contas: o governo federal atrasou o pagamento de R$ 20 milhões. Operários já foram avisados: só têm emprego até o fim de maio.

“Pelo que foi acertado, entre as empresas e sindicato laboral, aproximadamente 1.200 demissões, que vai dar 20% do efetivo total”, afirma o empresário Carlos Luiz Cavalcanti.

Em Cuiabá, as obras de 1.500 casas estão totalmente paradas. Também houve demissões e as empresas acumulam dívidas trabalhistas.

“São três construtoras. Uma delas já pediu recuperação judicial. Já demitiu 670 funcionários neste conjunto. Então, o número de demitidos é representativo”, diz o empresário Edmundo Oliveira.

O governo paga à medida que a obra vai avançando. A medição é feita por fiscais. Das mais de 1,7 milhão moradias contratadas, foram entregues 700 mil.

O Ministério das Cidades reconhece que os pagamentos não estão em dia, mas informou que a situação não é tão grave. Um dos problemas, segundo o próprio Ministério, é o atraso na liberação do dinheiro do orçamento.

“Nós estamos pagando as obras em um período que nós acreditamos que seja um período razoável, que são 30 dias após o ateste desta obra ser feito pelos agentes financeiros do programa”, afirma Inês Magalhães, secretária de Habitação do Ministério das Cidades.

O Ministério das Cidades negou que as obras tenham sido paralisadas por falta de repasse para as construtoras./ Jornal Nacional

 

Fonte: CBIC

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